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NOTA DE REPÚDIO AO PASTOR GUSTAVO MONTEIRO, DE QUIXERAMOBIM-CE

NOTA OFICIAL DA ALIANÇA NACIONAL LGBTI+

Vivemos tempos em uma sociedade onde algumas pessoas parecem desconhecer o conceito real das palavras respeito e limite. Muitos deixam de lado a compreensão da laicidade do Estado, do respeito às liberdades individuais, ao Estado democrático de direito, etc.

Mais uma vez nos deparamos com a violação dos direitos da comunidade LGBTI+ através de ataques perpetrados por líderes religiosos imersos no cenário político brasileiro, imersão esta utilizada para direcionar ódio e preconceito.

Desta vez o caso ocorreu em Quixeramobim no Ceará, onde um pastor que é presidente da Convenção Batista de Quixeramobim desfere ataques a candidatos que sejam aliados das causas que envolvam a comunidade LGBTI+.

As falas LGBTIfóbicas são do Pastor Gustavo Monteiro e circulam nas redes sociais através de áudios, onde pode-se se constatar sem sombra de dúvidas a adoção de uma postura eivada de ódio.

“Eu só não quero que o Clébio Pavone e o Dr. Pedro ganhem. Deus me defenda, porque todos dois são comprometidos com essa causa gay. Nós temos que orar a Deus e fazer a nossa parte, não deixar isso acontecer”

A falta de conhecimento do referido pastor nos deixa perplexos e absurdamente assustados pelo claro esquecimento dos preceitos e princípios descritos no livro sagrado do Cristianismo, diretamente afastados do amor que tanto dizem pregar e defender.

“O crente que vê o cara se comprometer com a viadagem, creio que não vá votar em um homem desse. Eu tenho dificuldade de acreditar nisso […] Nós temos que passar esse vídeo para os crentes, para que eles não votem nessa carniça”

Os termos utilizados pelo pastor em questão são de longe falas inimagináveis a quem quer que seja que se digne afirmar ser defensor da vida, do amor, da família. São afirmativas diretamente opostas, demonstrando assim clara conduta hipócrita, farisaica, digna de pena, porém, merecedora das punições previstas em lei, com todo o rigor possível.

São discursos como este que seguem até os dias de hoje afiando a faca do preconceito que mata milhares de LGBTIs todos dias pelo mundo, são discursos como estes que influenciam as agressões sofridas dentro dos lares de jovens LGBTIs, são falas como estas que fazem com que milhares de LGBTIs que outrora professavam a fé cristã se afastem da mesma.

Todos sabemos que através do empenho de entidades de luta pelos direitos LGBTI e trabalho majestoso da mais alta corte de justiça do país, o Supremo Tribunal Federal, hoje temos reconhecido a LGBTIfobia como crime, enquadrada nos crimes de racismo, crimes estes inafiançáveis e imprescritíveis, e tal decisão deve ser aplicada a este caso e a todos os demais semelhantes a este afim de coibir tal conduta odiosa.

A liberdade religiosa e de pensamentos são direitos garantidos em nossa Constituição, são invioláveis, é indiscutível, porém tais direitos não se sobrepõem à dignidade da pessoa humana, ao respeito à integralidade do ser humano, à defesa intransigente dos direitos humanos e da cidadania e muito menos às demais leis da república. Em suma, tais direitos não são salvo-conduto para prática de crimes!

Neste ínterim, a Aliança Nacional LGBTI+ manifesta seu profundo repúdio à atitude do pastor citado em questão, solicitando aos órgãos competentes que apurem a referida conduta e deem os devidos encaminhamentos para as possíveis punições previstas em lei.

“A liberdade de um indivíduo deve ser assim limitada: não deve ser prejudicial aos outros.” (John Stuart Mill)

31 de outubro de 2020

Toni Reis
Diretor Presidente da Aliança Nacional LGBTI+

Pr. Gregory Rodrigues Roque de Souza
Coordenador Estadual da Aliança Nacional LGBTI+ em MG Coordenador Nacional de Notas e Moções da Aliança Nacional LGBTI+

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