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NOTA DE REPÚDIO AO DISCURSO LGBTIFÓBICO DO PADRE ANTÔNIO EVANDRO DE OLIVIERA (LIVRAMENTO-PB)

NOTA OFICIAL DA ALIANÇA NACIONAL LGBTI+

O mundo como o conhecemos nem sempre fora visto desta forma, das mais variadas sociedades espalhadas pelo globo a grande maioria sofreu em seu processo evolutivo influência de conceitos e dogmas religiosos. Tais pontos foram responsáveis pela forma como hoje são vistos e compreendidos os mais variados fenômenos, dentre os quais as variações da sexualidade humana estão inclusas.
Para a religiosidade de forma ampla o fator sexualidade sempre fora causa de conflitos. Graças à influência dos preceitos judaico-cristãos que carregam consigo ideais machistas, misóginos e sexistas, grande parte das sociedades atuais integraram em sua construção cultural e social tais fatores, responsáveis pelas manifestações de todas as variadas formas de preconceito, nas quais se incluem as LGBTIfóbicas.
A relativização do que se entende como moralmente aceito na atualidade segue sendo marca de grande parcela dos segmentos religiosos, segmentos estes que optam por abraçar uma interpretação humana dos textos bíblicos, manipulando-os para que se enquadrem em seus pensamentos e ações repulsivas.
Compreendendo os fatores citados anteriormente, com tristeza nos deparamos com um vídeo que circula pelas redes sociais, no qual assistíamos declarações proferidas pelo padre Antônio Evandro de Oliveira, da paróquia de Livramento, ligada a diocese de Patos, sertão Paraibano.
Em missa, padre de Livramento destila LGBTfobia; movimentos | Cidades (brasildefatopb.com.br)
A fala do sacerdote ligado à igreja católica apostólica romana, fora realizada durante homilia proferida em missa do passado dia 24 de janeiro do corrente ano, onde destila toda sorte de LGBTIfobia e desconhecimento teológico, além de perfeita falta de humanidade.
O religioso inicia sua argumentação alegando que se deparou com uma informação publicada da mídia onde havia a informação de que duas crianças seriam registradas sem a definição de sexo na certidão de nascimento, para que tal decisão pudesse ser tomada quando as mesmas estivessem adultas.
Disse o sacerdote:
“Isso é uma aberração, gente! Como é que pode uma coisa dessas? Estão cegos? Não estão vendo se homem ou mulher a criança? Querem negar o que Deus criou?”
Nadando na contramão de todas as variações de estudos que permeiam o campo de gênero, o padre em questão nega à população de mulheres trans e travestis a identidade feminina, além de reproduzir ideais conservadores repletos de falácias, que tentam imbuir “culpa” ao poder legislativo pelas conquistas de direitos da população LGBTI+.
Neste ponto, Padre Antônio Evandro, demonstra total desconhecimento do que realmente ocorre em nossa nação, onde graças ao conservadorismo presente, todas as conquistas de direitos se deram graças à atuação da mais alta corte de justiça do pais, o Supremo Tribunal Federal – STF.
Os absurdos prosseguem:
“Tudo bem se a pessoa se sente mulher, que o seja, se sente, mas ela não é mulher. Não que eu sou mulher, que quero ser mulher. Não, tem isso não. Você quer ser, mas você não é mulher coisa nenhuma. Você é porque você quer ser. Mas na verdade fisicamente você não”
“Que negócio é esse? Que aberração a Globo está fazendo. Quer empurra goela adentro o LGBT”
Neste ponto se faz necessário o questionamento: onde está a verdade que se diz ser pregada por estes que assumem o papel de representantes do que é divino na terra? Onde estão presentes os valores descritos como “frutos do Espírito” no livro sagrado dos Cristãos?
Ora, perceptivelmente hipócritas, tendo em vista que algumas Igrejas cristãs já demonstram tato no tocante às questões de identidades. As contribuições das ciências nos mais variados campos têm sido no sentido de uma formulação de uma pastoral específica, revisões de posturas LGBTI+fóbicas dessas instituições, chegando ao ponto de o próprio catolicismo romano criar em suas igrejas particulares Pastorais da Diversidade. Não se pode deixar de considerar também a eclesiologia e visão pastoral do Romano Pontífice, o Papa Francisco I, que vem combatendo, é perceptível, essa onda de ódio gratuito e disseminação de fake news que só servem para estimular o pânico moral e inviabilizar o diálogo, nesses tempos de polarização e hermetismos.

“Deus é amor. ” (IJo.4,8) Quem ama testemunha que conhece a Deus, de que conheceu a partir de uma experiência afetiva e efetiva com Jesus de Nazaré. Essa postura medieval, acrítica e unilateral não condiz com ume/a/um seguidore/a/or de Cristo e só aponta para uma patológica e deturpada relação com o sagrado. Esse tipo de clérigue/a/o incita ao ódio, ao desamor, aos crimes de ódios que diuturnamente vemos ser imputados às pessoas LGBTQIA+ sob uma velada e ao mesmo tempo visível descaso de representantes dessas igrejas de cunho cristão (?) no Brasil. Não iremos nos calar e não deixaremos que nossas corpas sejam instrumentalizadas nesse processo de dominação de umes/as/uns e/ou subjugação de outres/as/os.

É importante salientar que a liberdade religiosa não pode em instante algum se sobrepor à dignidade da pessoa humana, à cidadania e às leis da República. Tendo em vista que atualmente em nosso país graças à atuação da mais alta corte de justiça do país, o Supremo Tribunal Federal – STF, as manifestações LGBTIfóbicas são consideradas crimes, crimes inafiançáveis e imprescritíveis.

O direito à liberdade de opinião, à não concordância não pode ser considerado como salvo conduto para ofensas, mesmo que escorados em quesitos religiosos, culturais, sociais e etc., diante de tais pontos, a Aliança Nacional LGBTI+ manifesta seu profundo e total repúdio às palavras do Padre Evandro e solicitando que seja feita uma retratação pública por parte da CNBB, da Arquidiocese da Paraíba e do Bispado de Patos – PB.

Assinam esta nota em concordância com a Aliança Nacional LGBTI+, as entidades da Paraíba, MEL – Movimento do Espírito Lilás e ASTTTRANS – Associação das Mulheres Travestis, Transexuais e Transfeministas da Paraíba.

03 de fevereiro de 2021

Toni Reis
Diretor Presidente da Aliança Nacional LGBTI+

Rafaelly Wiest
Diretora Administrativa da Aliança Nacional LGBTI+

Pr. Gregory Rodrigues Roque de Souza
Coordenador de Comunicação da Aliança Nacional LGBTI+
Coordenador Estadual da Aliança Nacional LGBTI+ em Minas Gerais

Prof. MsC. Benedito Leite de Souza Junior
Colaborador da Aliança Nacional LGBTI+ em Caruaru – PE
Diácono da Igreja Católica Anglicana

Hugo Raffael Andrade
Coordenador Estadual Adjunto da Aliança Nacional LGBTI+ na Paraíba
Membro do Fórum de Enfrentamento à Violência de Gênero – PB

Cleber Ferreira Silva
1º Tesoureiro do MEL – PB

Andreina Villarim Gama
Presidenta – ASSTRANS

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