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NOTA OFICIAL DA ALIANÇA NACIONAL LGBTI+DE SOLIDARIEDADE À LANA LARRÁ E COBRANÇA DE MEDIDAS CABÍVEIS

No passado 16/07/2020 recebemos de nossa Coordenadora Adjunta da Área de Mulheres Trans, Lana Larrá, a denúncia de transfobia sofrida pela mesma ao solicitar um carro para transporte através do aplicativo 99Pop, na cidade de Belém do Pará.

Após finalizar uma reunião Lana, solicitou um veículo através do referido aplicativo de transporte. No momento em que o motorista chegou ao local para iniciar a corrida, a mesma fora surpreendida com o pedido no mínimo inusitado: que ela se retirasse do carro pois de acordo com o motorista sua religião não permitia que ele transportasse “esse tipo de pessoas”.

Atitudes como estas são recorrentes para com a comunidade de pessoas Trans e Travestis, que seguem sendo a população que mais sofre com a LGBTIfobia no Brasil. Os dados mostram ainda que, a cada dia em 2019, 11 pessoas transgênero sofreram agressões, das quais a mais jovem das vítimas assassinadas tinha 15 anos de idade, encaixando-se no perfil predominante, que tem como características faixa etária entre 15 e 29 anos (59,2%) e gênero feminino (97,7%). A desigualdade étnico-racial é outro fator em evidência, já que 82% das vítimas eram negras (pardas ou pretas). (ANTRA)

A empresa 99 em seu termo de valores deixa claro que

“Vivemos a diversidade
Para nós, o coração da diversidade é a inclusão, a igualdade e o respeito. Acreditamos que a diversidade cria um ambiente mais criativo e cheio de energia.
Respeitamos a diversidade, reconhecemos os méritos das pessoas e nos unimos apesar das diferenças.”

Não podemos culpar a empresa 99 por atitudes pontuais de alguns motoristas, porém podemos e devemos cobrar da mesma uma apuração isenta e célere do fato em questão para que assim ocorram as devidas punições com todo o rigor que se faça necessário.

Não podemos esquecer que a LGBTIfobia é agora considerada crime no país graças à decisão da mais alta corte de Justiça do País, o Supremo Tribunal Federal – STF, e tal definição precisa ser cumprida, ressaltando-se que parte da referida decisão determinou o seguinte:

A repressão penal à prática da homotransfobia não alcança nem restringe ou limita o exercício da liberdade religiosa, qualquer que seja a denominação confessional professada, (…) desde que tais manifestações não configurem discurso de ódio, assim entendidas aquelas exteriorizações que incitem a discriminação, a hostilidade ou a violência contra pessoas em razão de sua orientação sexual ou de sua identidade de gênero.

Neste ínterim a Aliança Nacional LGBTI+ antes de tudo se solidariza com Lana Larrá, desejando forças para superar este momento sensível, e se coloca à disposição para prestar todo suporte que se faça necessário.

A Aliança Nacional LGBTI+ também solicita a empresa 99, para que proceda assim com as devidas apurações do fato, e que se manifeste quanto às tratativas dadas. Também se solicita que os prestadores de serviço lotados em sua base sejam devidamente capacitados para o devido tratamento da população LGBTI+, garantindo um atendimento humanizado, igualitário e inclusivo.

Não há lugar em nossa nação para tolerância para com a LGBTIfobia!

23 de julho de 2020

Toni Reis
Diretor presidente da Aliança Nacional LGBTI+

Pr. Gregory Rodrigues Roque de Souza
Coordenador Estadual da Aliança Nacional LGBTI+ em MG
Coordenador Nacional de Notas e Moções da Aliança Nacional LGBTI+

Robson Lourenço da Silva
Coordenador Adjunto de Comunicação da Aliança Nacional LGBTI+

Alessandra Ramos
Coordenadora Titular da Área de Mulheres Trans na Aliança Nacional LGBTI+

Layza Lima
1ª Coordenadora Adjunta Área de Mulheres Trans na Aliança Nacional LGBTI+

Camile Nascimento
3ª Coordenadora Adjunta Área de Mulheres Trans na Aliança Nacional LGBTI+

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Sobre a Aliança Nacional LGBTI+ – A Aliança Nacional LGBTI+ é uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos, com representação em todas as 27 Unidades da Federação e representações em mais de 150 municípios brasileiros. Possui 47 áreas temáticas e específicas de discussão e atuação. Tem com missão a promoção e defesa dos direitos humanos e da cidadania da comunidade brasileira de lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e intersexuais (LGBTI+) através de parcerias com pessoas físicas e jurídicas. A Aliança é colaboradora do Fórum de Empresas e Direitos LGBTI+. É pluripartidária e atualmente tem mais de 1000 pessoas físicas afiliadas. Destas, 47% são afiliadas a partidos políticos, com representação de 27 dos 33 partidos atualmente existentes no Brasil. http://aliancalgbti.org.br/ Conheça a Central de Denúncias LGBTI+ https://bit.ly/2vRiXyr

Nota publicada 23 de julho de 2020.

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