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NOTA DE CONGRATULAÇÃO À PREFEITURA DE CURITIBA E DE PREOCUPAÇÃO COM O APAGAMENTO DE CRIANÇAS TRANS

NOTA OFICIAL

DE CONGRATULAÇÃO À PREFEITURA DE CURITIBA E DE PREOCUPAÇÃO COM O APAGAMENTO DE CRIANÇAS TRANS

29 DE JANEIRO DE 2021 – DIA NACIONAL DA VISIBILIDADE TRANS

No dia 27 de janeiro de 2020 a Prefeitura Municipal de Curitiba utilizou suas mídias sociais para comemorar o Dia da Visibilidade Trans – a ser comemorado no dia 29 de janeiro. Sua postagem reuniu fotos de ativistas trans que atuam na cidade, com frases sobre visibilidade trans. Eram quatro adultos trans e, na última foto, Thamirys Nunes e sua filha, falando sobre a existência de crianças trans e a necessidade de respeito e proteção.

Campanha nas redes sociais dá visibilidade às pessoas trans – Prefeitura de Curitiba

Além da publicação em questão, a prefeitura iluminou a estufa do Jardim Botânico com as cores da bandeira do orgulho trans, sendo a primeira vez que a referida estufa recebe iluminação especial para celebrar esta data tão importante.

Estufa do Jardim Botânico é iluminada com as cores da bandeira trans – Prefeitura de Curitiba

No entanto a postagem feita nas redes sociais sofreu graves ataques de cunho transfóbico, tendo inclusive vereadores como entusiastas. Tendo em vista toda a pressão orquestrada, ao final da noite do dia 27, a Prefeitura excluiu a foto de Thamirys e sua filha. Importante salientar que dentre todas as fotos, essa foi a que recebeu ataques preconceituosos, ofensivos e desrespeitosos de forma direta e sem censura.

O apagamento da infância e da adolescência transgêneras é uma realidade cruel na nossa sociedade. Esse apagamento, esse fingir que não existimos, leva a um aumento de desinformação e de violências contra uma população extremamente frágil. Contra menores de idade. Contra a infância e a adolescência que todos querem proteger, ora, será que pensam que crianças trans nascem com 18 anos de idade?

Ao fingir que não existimos, também não somos pensados na construção das políticas públicas de segurança, saúde, educação.

Ao fingir que não existimos, também se finge que a violência que ocorre conosco não existe. Se não há ninguém ali, ninguém foi ofendido, provocado, desrespeitado, espancado. Ninguém tem um nome, ninguém precisa ser visto, ouvido e cuidado.

A visibilidade é um dos passos fundamentais para que o olhar da sociedade e do poder público se debrucem a pensar formas de garantir a integridade, a dignidade, a existência de pessoas visíveis.

Apagar a foto de Thamirys e sua filha não oferece nenhum tipo de proteção às duas e tampouco à população de crianças e adolescentes trans que existem. Existem sim, independente do silêncio que se tente impor sobre eles. Ao contrário. Essa postura de apagamento é desrespeitosa e pode passar uma mensagem muito perigosa para preconceituosos que usam de vários tipos de violência para invisibilizar e extinguir a população trans. O preconceito sempre se manifesta e sempre ganha força com qualquer migalha de conivência.

É mister que lembremos que o Brasil figura nas estatísticas e estudos como o país que mais mata Travestis e transexuais no mundo conforme dados do “Trans Murder Monitoring” (Observatório de Assassinatos trans). De acordo com o referido estudo nossa nação ocupa o topo do ranking dos mais violentos para esta população já pelo 12º ano consecutivo, é definitivamente alarmante tal constatação.

A visibilidade trans é uma questão social. Social e política. Das políticas públicas de garantia de direitos.

Direitos humanos não têm idade. Nem gênero. Mas têm pressa e necessidade de serem protegidos. Assim como a infância e a adolescência trans.

Importante salientar que a atitude da Prefeitura de Curitiba ao iluminar a estufa do jardim botânico, local turístico e de grande importância para a capital paranaense, é digna de reconhecimento e aplausos, porém se faz necessário que se honre o compromisso com a visibilidade das pessoas transgêneras por completo, esclarecendo os reais motivos que levaram à remoção da foto da postagem.

Não é o preconceito que deve nos fazer esconder. É a informação e o respeito que devem fazer o preconceito recuar até se dissolver.

Parabéns mais uma vez à Prefeitura de Curitiba. Não podemos deixar ninguém para trás.

Curitiba, 28 de janeiro de 2021 – véspera do Dia da Visibilidade Trans

Toni Reis
Diretor Presidente da Aliança Nacional LGBTI+
Diretor Executivo do Grupo Dignidade

Rafaelly Wiest
Diretora Administrativa da Aliança Nacional LGBTI+
Diretora de Relações Institucionais do Grupo Dignidade

Gregory Rodrigues Roque de Souza
Coordenador de Comunicação da Aliança Nacional LGBTI+

Thamirys Nunes
Coordenadora da Área de Acolhimento a Crianças e Adolescentes LGBTI+, da Aliança Nacional LGBTI+

Fabian Algarte da Silva
Coordenador Nacional da Área de Homens Trans e Transmasculinidades da Aliança Nacional LGBTI+

Carol Silva
Coordenadora da Área Trans do Grupo Dignidade

Lucas Siqueira
Coordenador da Área de Juventude da Aliança Nacional LGBTI+
Diretor de Interação do Grupo Dignidade

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